VENEZUELA O DESAFIO DE ENTENDER UM CENÁRIO COMPLEXO .
- 08/09/2026
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Nesta semana passada, o governo dos Estados Unidos anunciou o novo pacto petroleiro com a República Bolivariana da Venezuela. Feito que representa o início de “uma legalização do entregacionismo”. O acordo prevê a entrega de mais de 65.000.000 de barris de petróleo apenas na primeira etapa. Em contrapartida, prometem um investimento de aprox. 200.000 milhões de dólares para reerguer a indústria petroleira.
O cenário atual não é mais que o resultado da ineficiência e falta de compromisso político com o povo venezuelano, por parte do partido de governo. Neste sentido, vale ressalvar o referente histórico entre Venezuela e USA, conhecido como o “Pacto de Punto Fijo”, que manteve o acordo político entre (AD e COPEI), e caracterizou o bipartidarismo que governou a Venezuela por mais de 40 anos até a chegada de Hugo Chávez ao poder e a consolidação da 5ª República.
A história demonstra, mais uma vez, ser “cíclica”. Com o anterior acordo petroleiro (Pacto Punto Fijo), os Estados Unidos dominaram a Venezuela por 40 anos, apropriando-se da maior parte da renda petroleira, fundamentando-se num modelo econômico rentista petroleiro. O qual se arraigou na política econômica venezuelana, não apenas durante o puntofijismo, mas aprofundando-se na era da 5ª República, com Chávez, Maduro e agora Delcy Rodríguez. Modelo este, absolutamente ineficiente, para fazer andar o motor econômico da Venezuela.
Enquanto isso, o novo pacto entre o governo dos USA e a Venezuela pretende, como foi anunciado por Marco Rubio, durar ao menos 100 anos. Trata-se, evidentemente, da desequilibrada manobra de Trump para apropriar-se dos 200 bilhões de barris de petróleo que a Venezuela tem de reserva, feito que requereria desses 100 anos, se não existir nenhum evento político que derrube os efeitos desse acordo. Sendo isso apenas possível por meio ou de um golpe de Estado ou de uma genuína revolução da classe trabalhadora.
Outrossim, existe dentro do marco jurídico venezuelano um impedimento “incontestável”. Trata-se das competências de um presidente interino e suas atribuições no exercício das funções. Neste sentido, o art. 233 da Constituição da República Bolivariana da Venezuela é claro e impossibilita sucumbir a acordos bilaterais sem ter chamado a eleições no período de 180 dias. Feito que indiscutivelmente não tem ocorrido no mandato de Delcy Rodríguez.
Diante desse cenário, pelos próprios fundamentos acima expostos, o novo pacto petroleiro, que Trump tem chamado de o maior acordo petroleiro da história, carece de legalidade. Assunto que não surpreende em absoluto vindo da parte de Trump. Assim, falsas promessas, como, por exemplo: “solução em 90 dias” para a economia venezuelana por meio da dolarização, e reivindicações para os trabalhadores como consequência do novo pacto petroleiro. São apenas crivos para aqueles que ainda não compreendem a magnitude das riquezas prestes a ser devoradas pelo governo norte-americano.
A história, que é implacável, assim como a verdade, tem comprovado que o resultado de os USA controlarem algum outro país nunca foi favorável para a população, e sim, descaradamente rentável, apenas para o governo norte-americano. Entender com clareza o alcance da pretensão norte-americana é a principal ferramenta para organizar a luta na Venezuela. Para isso, é preciso analisar a conjuntura, na qual a realidade objetiva é que mais de 30% da população venezuelana está em situação de migração.
Por consequência, o mercado de remessas solidifica-se, arraigando-se no diferencial cambiário como eixo, promovendo as contraculturas de especulação e exploração. Cenário que produz um câncer na economia venezuelana.
Por todas as razões acima, é óbvio que a Venezuela clama a gritos por uma genuína revolução da classe trabalhadora. A classe política tradicional venezuelana está polarizada e alienada, alguns a favor do partido de governo, e outros apenas a favor de entregar por completo as riquezas aos USA sem medir as severas consequências que isso representa.
O desafio dos trabalhadores venezuelanos dentro e fora do país é construir uma “3ª via por Venezuela”. Nessa missão, o apoio das organizações internacionais do trabalho é fundamental, visto que é preciso convocar a maior quantidade de trabalhadores venezuelanos ao redor do mundo e somá-los na luta pela reestruturação da Venezuela.
AUGUSTO LACAYO

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